Michel Foucault | Entrevista “Poder e saber”

Entrevista Poder e Saber | Michel Foucault*

  (Entrevistador)O interesse do público por suas obras aumentou consideravelmente no Japão nos últimos anos, pois, em seguida à tradução tão aguardada de As Palavras e as Coisas, saiu Vigiar e Punir, publicada há dois anos, e uma parte de A Vontade de Saber, que acaba de ser traduzida. Entretanto, há no meio intelectual japonês, mitos com relação ao autor que impossibilitam uma leitura objetiva de sua obra. Estes mitos veiculam três imagens falsas de sua personalidade, mas geralmente aceitas como verossímeis. O primeiro mito é o de um Foucault estruturalista, massacrando a história e o homem, sobre o qual lhe falei na entrevista anterior. O segundo é o de um Foucault como homem de método, mito que se espalhou no Japão após a tradução de A Arqueologia do Saber. É devido a esse livro que o acolhemos como uma espécie de criança prodígio da filosofia, que, depois de ter passeado pelo domínio suspeito da literatura, retornava a uma reflexão séria sobre o método. O terceiro mito é o de um Foucault contestador. As pessoas o têm como contestador devido ao fato de o senhor falar da prisão e dos presidiários. Espera-se então, igualmente, que a sua História da Sexualidade seja um livro de contestação… Estes mitos existem também na França?

(FOUCAULT) – Eles se espalharam na França, eles se espalharam também nos Estados Unidos. Eu recebi há dois dias um artigo, aliás, muito bem feito, de alguém que retomava sucessivamente meus diferentes livros em ordem cronológica e que os apresentava a meu ver com bastante objetividade, desde a “História da Loucura” até a “História da Sexualidade”. A imagem de cada um dos livros não era falsa, mas assim mesmo fiquei completamente pasmo, quando ao fim dessa apresentação o autor dizia: “Assim, vejam vocês, Foucault é um aluno de Lévi-Strauss, é um estruturalista, e seu método é inteiramente anti-histórico ou a-histórico!” Ora, apresentar a “História da Loucura”, apresentar “Nascimento da Clínica”, a “História da Sexualidade”, “Vigiar e Punir” como livros não históricos, eu não compreendo. Eu acrescentaria simplesmente que não houve sequer um comentador, nenhum, que notasse que, em “As Palavras e as Coisas” , que é tido como meu livro estruturalista, a palavra “estrutura” fosse usada pelo menos uma vez. Se ela é mencionada como citação, não é usada nenhuma vez por mim, nem mesmo o termo “estrutura” ou qualquer das noções que os estruturalistas empregam para definir seu método. É então um preconceito bastante espalhado. O mal entendido está em vias de se dissipar na França, mas diria honestamente que ele tem, apesar de tudo, suas razões de ser, porque muitas coisas que eu fazia não estavam, durante muito tempo, completamente claras para mim mesmo. É verdade eu procurei meu caminho em direções um pouco diferentes. Poder-se-ia, é claro, retraçar uma espécie de fio condutor. Meu primeiro livro era a história da loucura, quer dizer, um problema ao mesmo tempo de história do saber médico, de história das instituições médicas e psiquiátricas. Disso passei a uma análise da medicina em geral, em seguida ao estudo das ciências empíricas como a história natural, a economia política, a gramática. Tudo isso é uma espécie não digo de lógica, mas de progressão, por justaposição; entretanto, sob este desenvolvimento livre, mas apesar de tudo verossímil, havia algo que eu próprio não compreendia muito bem, que era no fundo: qual era a questão, como se diz em francês, que me perseguia. Durante muito tempo acreditei que eu era perseguido por um tipo de análise dos saberes e dos conhecimentos tais como eles podem existir em uma sociedade como a nossa: o que se sabe acerca da loucura, acerca da doença, o que se sabe do mundo, da vida? Ora, creio que esse não era meu problema. Meu verdadeiro problema é aquele que é, aliás, um problema atualmente de todo mundo, o do poder. Eu creio que é preciso se voltar ao que acontecia naquele momento, digamos, em 1955, pois foi por volta de 1955 que eu comecei a trabalhar. No fundo, havia duas grandes heranças históricas no século 20 que não haviam sido assimiladas, e para as quais não tínhamos instrumentos de análise. Estas duas heranças negras eram o fascismo e o stalinismo. Com efeito, o século 19 tinha encontrado como grande problema, o da miséria, o da exploração econômica, o da formação de uma riqueza, a do capital, a partir da miséria daqueles mesmos que a produziam.(CONTINUA…)

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